O mundo sem telas parece nĂŁo existir mais, nem mesmo para bebĂŞs e crianças. É com elas que muitas vezes as crianças ficam quietinhas por horas. No entanto, a Sociedade Mundial de Pediatria (SMP) recomenda que uma criança nĂŁo deve assistir a telas antes dos 2 anos. A partir dessa idade, o tempo de tela Ă© maior do que zero, mas nĂŁo deve tender ao infinito, ou melhor, ao dia todo. Um perĂodo muito longo assistindo a algo, nem que o conteĂşdo seja pertinente Ă sua faixa etária, traz prejuĂzos psicolĂłgicos Ă criança.
Criamos nossos filhos seguindo essa recomendação em nosso dia a dia. De repente vivemos uma situação extrema: nas nossas fĂ©rias, precisei viajar sozinha, com os dois filhos, um de 4 anos e meio, o Santiago ou simplesmente Santi, e outro de 14 meses, o Franco, tendo no trajeto um voo de quase 12 horas (voo diurno), mais duas horas de transporte por trem e, ainda, o tempo de aeroporto, carro e todas as esperas, uma jornada de quase 20 horas. Nas minhas buscas por dicas de como entreter as crianças, o que mais encontrei foi algo como "leve o celular e o tablet carregados de bateria e com vários desenhos e filminhos para as crianças". Para ter uma jornada nĂŁo traumática, a Ăşnica saĂda seria “hipnotizar” as crianças?
Com preparo e conhecimento continuamos seguindo a recomendação da SMP, e ainda recebemos de um passageiro da poltrona da frente, que estava com sua esposa, um elogio, dizendo que as crianças foram incrĂveis no voo (e que eu tambĂ©m fui!). E confesso que eu mesma me surpreendi com o comportamento delas, aliás, brincar em trĂŞs poltronas (a terceira poltrona estava vaga, que sorte a nossa! E de quem pĂ´de mudar!) de um aviĂŁo nĂŁo Ă© nada fácil.
O meu preparo foi levar vários brinquedos adequados para as duas crianças e que lhes eram inéditos, ou seja, brinquedos novos para elas. Para o Santiago tinha adesivos diversos, jogo das diferenças, jogo do procura e acha, livro novo (de uma série que ele tinha conhecido há pouco e tinha gostado muito). Para o Franco tinha brinquedos de apertar botões, fazer girar hélice, acender e apagar luzes, encaixar e desencaixar, grudar e desgrudar, montar e desmontar… E alguns desses brinquedos também foram interessantes para o Santi. Só tomei cuidado para não ter brinquedo que fizesse muito barulho, já que o objetivo também era não incomodar os demais passageiros e tripulação. Aliás, foi apenas um item com som, um livro de animais do mar e seus sons, pois tocava baixo e eram sons tranquilos.
Como os dois estĂŁo acostumados a interagir, mesmo durante o perĂodo em que o Santi fazia atividades para ele apenas, como colar os adesivos (montar tratores, pizza, fazendinha…), o Franco participava e eu o ajudava com as colagens. Fizemos atĂ© uma parte divertida de colar os adesivos e as bordas dos adesivos na mamĂŁe. O que colamos nas mesinhas e encostos das poltronas da frente foi tambĂ©m removido logo que a brincadeira terminou. Uma bagunça saudável e divertida. TambĂ©m teve o momento de leitura, tanto do livro do Franco como do Santi, os dois participaram de ambas as leituras, com mais inquietação do pequeno quando a leitura foi para o maior, nĂŁo muito distante do que temos no nosso dia a dia. Por hora destaco a importância da pertinĂŞncia Ă idade do livro e do contexto, mas este Ă© um ponto que merece mais atenção.
O Santi assistiu a um filme (Inside out - Divertidamente 1) de 1h e 40min de duração, dividido em duas etapas, uma parte enquanto eu passeava pelo aviĂŁo com o Franco e brincava exclusivamente com ele, e a segunda durante a soneca do menor, quando tambĂ©m coloquei o filme na TV da minha poltrona e vimos juntos o que faltava, interagindo sempre que possĂvel. Passear com o Franco foi importante para que ele reconhecesse o ambiente e para que pudesse se movimentar, andando, sorrindo para as pessoas, recebendo sorrisos e comentários simpáticos de vários passageiros.
O tempo de tela, mesmo que curto, ultrapassou o recomendado para a faixa etária, que é de 1 hora por dia. Por isso que eu preferi dividir em duas etapas. Também acho importante estar junto com meu filho quando ele assiste a algo, para conhecer sua reação, para tirar suas dúvidas ou simplesmente para rir junto com ele de algo que ele acha engraçado (nessas horas eu mais rio da situação do que do fato supostamente engraçado).
Apesar de viajarmos com certa frequĂŞncia, sempre o fizemos por meios terrestres. O Santiago sĂł havia tido uma experiĂŞncia com voo, e nĂŁo se recordava, pois nessa primeira viagem tinha menos de 1 ano. Podemos dizer, entĂŁo, que era tudo novidade. Em cada etapa, houve muitas perguntas e respostas — e tambĂ©m a ajuda de um jogo bastante apreciado por ele: Procura e Acha - Aeroporto. Conforme Ăamos passando pelos elementos do jogo, eu o chamava a atenção para observar em volta e verificar se havia algo parecido em sua folha. Algumas vezes ele encontrou antes mesmo de eu chamar sua atenção; em outras, foi preciso que eu apontasse o que era e explicasse o elemento — a torre de controle foi um desses.
Em alguns momentos, tivemos que guardar o jogo, deixando de marcar certos itens. EntĂŁo, durante o voo, fizemos uma revisĂŁo para ver se ainda restava algo a ser marcado. O jogo serviu para distraĂ-lo, ensiná-lo, interagir comigo, despertar sua atenção — sem contar os benefĂcios motores do uso de papel e lápis por uma criança de 4 anos.
O jogo Procura e Acha - Aeroporto foi o primeiro 100% feito pela Fun Trip for Kids que foi testado pelo meu filho. Ele foi essencial para a diversĂŁo e aprendizado no tempo que passamos no aeroporto. Telas? SĂł as com informes do prĂłprio aeroporto. Meu celular? SĂł para fotografar as delĂcias da vida. Aproveito e deixo algumas delas por aqui.






